O ACERVO
O Acervo do MATL é composto por mais de cinco centenas de obras.

ACERVO

O acervo ou coleção do MATL é composta por mais de cinco centenas de obras, a maioria de arte pós-moderna contemporânea, produzidas a partir de cerca da década de 60, embora haja um pequeno número de peças de arte moderna (anteriores a cerca de 1960). O MATL, portanto, atendendo às características do seu acervo, das obras que expõe, divulga e trabalha com o público, encontra-se direcionado para a arte contemporânea pós-moderna, para as obras que resultam da individualidade, da diferença, do ineditismo, independentemente da corrente ou do movimento artístico com que possam ser conotadas e seu autor (expressionismo abstrato, abstracionismo lírico, abstração geométrica, informalismo, gestualismo, nova figuração, pop art, op art…), se afetas ao figurativismo se ao abstracionismo se ao concetualismo. Não devem ser por isso vistas apenas como um objeto artístico, mas igualmente como um instrumento de instrução (por confronto), conquista e de manutenção de uma sociedade aberta e tolerante.

O grosso das obras do MATL, mais de metade, é relativo às décadas de 70 e 80. Da década de 70, se impusermos a divisão “antes de abril de 74” e “depois de abril de 74”, a maioria das obras, duas vezes mais, data, precisamente, depois do fim do regime autoritário do Estado Novo. O MATL, por conseguinte, para além de estar direcionado para a arte contemporânea pós-moderna, mostra-se sobretudo vinculado à arte já livre de censura institucional, dessa primeira década de descoberta e experimentação plena.

A luta dos artistas portugueses pela individualidade e liberdade criativa, forçando obstáculos políticos e as limitações mentais de uma sociedade pouco ilustrada, tradicionalista e conservadora, profunda e negativamente marcada pelo longo regime do Estado Novo, transparece no acervo do MATL, especificamente nas obras dos anos finais da década de 50 até ao final da ditadura (25 de abril de 74), consequência feliz do programa de bolsas da Fundação Calouste Gulbenkian, iniciado em 1957 e que permitiu aos jovens artistas o estudo no estrangeiro (França, Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha), do exílio e/ou “emigração” de outros nestes e noutros países e das pontes e oportunidades que criavam para quem os visitava, do “manifesto” inspirador do grupo KWY (em formato de revista) e dos obstinados que, por uma ou outra razão, permaneceram no país e sem deixar de “perturbar”. 

O ACERVO DO MATL