ARMINDO TEIXEIRA LOPES
O pintor lírico de cidades metafísicas.

ARMINDO TEIXEIRA LOPES, PINTOR LÍRICO DE CIDADES METAFÍSICAS

Manuel Armindo Teixeira Lopes elegeu desde muito cedo as ruas e o casario dos núcleos populacionais de aldeias, vilas e cidades como matéria ou objeto de expressão artística. Para além da inclinação natural para a representação de volumes arquitetónicos e ruas, não podemos ignorar a influência positiva que terá tido a antiga vila e sede de concelho de Abreiro, onde nasceu e cresceu, com os seus edifícios típicos em banda ou ininterruptos, ruas labirínticas e estreitas, no despertar e desenvolvimento do interesse do artista por este gênero pictórico: a paisagem urbana.

A figura humana, embora presente nas composições urbanas de Armindo, até, inclusive, 1953, nunca chegou a assumir protagonismo ou centralidade, mantendo-se sempre acessória. Este aspeto é importante para compreender a decisão compositiva tomada pelo pintor a partir desta data, de erradicar a figura humana das suas composições por supérflua.

A partir de 1960 opera outra transformação, desta feita mais profunda, de natureza racional e de depuração estética ou de simplicidade e objetividade modernista, que resultou na redução das arquiteturas representadas ao essencial. O papel manteve-se como suporte de eleição, embora tenha havido algumas experiências em tela, com óleo, e a aguada tornou-se preferencial face a outras técnicas anteriormente utilizadas e associadas a este material (carvão, tinta da china, aguarela, guache, pastel etc.). O aspeto fluido desta técnica, o monocromatismo a sépia e verde (cores predominantes), conjugado com a ausência da figura humana e a esquematização ou síntese arquitetónica, acaba por imprimir nas obras um caráter nostálgico ou lírico. 

Encontrando-se em Angola (Luanda), em 1971, transita do habitual suporte de papel e das técnicas de desenho e pictóricas usualmente empregues neste, para a tela e o óleo. Esta transição é acompanhada por nova evolução artística, determinada, agora, por uma carga perturbadora, fantasiosa e lírica na paisagem urbana, inspirada na pintura metafísica de Giorgio de Chirico (1888-1978). As vistas das ruas são, maioritariamente, de quem se encontra aí absolutamente exposto e só, desencadeando no observador inquietude e desconforto pela exposição e isolamento que experimenta. Não obstante o desalento expresso através da redução do campo visual, na estreiteza das ruas que constrange, nas habitações fechadas e ensimesmadas, na aridez da paleta de cores (à base de ocres e óxido de ferro), na atmosfera sufocante, subjaz esperança, sugerida ora pelo fluxo de luz que invade os espaços ora pelo horizonte e firmamento azul que se entrevê entre e sobre os edifícios. Estas ideias e sentimentos paradoxais, de cidades desertas, de isolamento na aglomeração, de habitações sem habitabilidade (sem portas e janelas), foram também traduzidas por Armindo Teixeira Lopes em poesia, arte a que igualmente se dedicou: 

Só, com tanta gente

Vejo-me só, e só com tanta gente!
Ávido d’amizade e d’amor,
De carinhos, ternura ou o que for
Que me anime, muito me contente;

Que ao meu temperamento tão ardente,
Traga alívio bastante e frescor;
Que venha minorar a minha dor;
Que o meu sofrimento afugente.

E, se alguém houver que tanto tente,
que seja bem feliz naquele intento,
porque, de tanta dor, tanto lamento

a que mais resistir, se não consente,
a minha alma, já tão denegrida,
ficou doente, oh, sta bem ferida.


EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

1962/Nov./6 – Armindo Teixeira Lopes, Junta de Turismo da Costa do Sol (Estoril) 
1965/Abr./14-28 – Desenhos de Armindo Teixeira Lopes, Secretariado Nacional da Informação (Lisboa) 
1965/Nov./6-16 - Armindo Teixeira Lopes: Aguarelas, Junta de Turismo da Costa do Sol (Estoril) 
1966/Abr./14-28 – Armindo Teixeira Lopes, Galeria Nacional de Arte Moderna (Belém, Lisboa) 
1966/Jun./1-10 – Aguarelas de Armindo Teixeira Lopes, Junta de Turismo da Costa do Sol (Estoril) 
1966/Nov./2-16 – Desenhos de Armindo Teixeira Lopes, Galeria Nacional de Arte Moderna (Belém, Lisboa) 
1967/Ago./11 - Centro de Informação e Turismo de Angola (Luanda, Angola)  
1968/Mar./20 - Centro de Informação e Turismo de Angola (Luanda, Angola)
1968 - Sociedade Moçambicana de Estudos Cooperativos (Maputo, Moçambique)
1971/Fev./5 - Centro de Informação e Turismo de Angola (Luanda, Angola) 
1973/Mai./18-28 – «Armindo Teixeira Lopes», Galeria de Arte «Diário de Notícias» (Lisboa) 
1974/Mai./25-Jun./7 - Armindo Teixeira Lopes, Junta de Turismo da Costa do Sol (Estoril) 

 

EXPOSIÇÕES COLETIVAS

1953/Jul.-Ago. – «I Exposição dos Artistas de Horas-Vagas», Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa) 
1962/Out./27-Nov./22 - VIII Salão de Outono, Junta de Turismo da Costa do Sol (Estoril) 
1963/Mar./30-Abr./8 – Galeria Nacional de Arte Moderna (Belém, Lisboa)  
1963/Mai./28-Jun./6 – Sociedade Nacional de Belas-Artes (Lisboa)
1964/Mai./16-31 - IX Salão da Primavera, Junta de Turismo da Costa do Sol (Estoril) 
1965/Jun./5-23 – «X Salão da Primavera», Junta de Turismo da Costa do Sol (Estoril) 
1974/Mai./25-Jun./7 – XI Salão de Arte Moderna, Junta de Turismo da Costa do Sol (Estoril) 

 

REPRESENTAÇÃO EM MUSEUS E COLEÇÕES

- Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes (Mirandela, Portugal)
- Museu de Viana (Viana, Angola)
- Museu Municipal Berta Cabral (Vila Flor, Portugal)
- Galeria de Arte Moderna - Secretariado Nacional de Informação/ Secretaria de Estado da Cultura (destruída por
incêndio, em 1981/Ago./21)
- Sociedade Moçambicana de Estudos Cooperativos (Maputo, Moçambique)
- Coleções privadas nacionais e estrangeiras(E.U.A., Canadá, França, Inglaterra, Brasil, Turquia, África do Sul...)

 

BOLSAS

1964 (6 meses) - Fundação Calouste Gulbenkian 
1967 a 1971 - Instituto de Investigação Científica de Angola 

 

PRÉMIOS

1965 (Junho) - Medalha de Prata - Aguarela, «X Salão de Primavera» (Estoril) 
1965 (Junho) - Medalha de Bronze – Aguarela, «X Salão de Primavera» (Estoril) 
1974 (Maio-Junho) - 1.º Prémio do Salão [Pintura a óleo], «XI Salão de Arte Moderna» (Estoril) 
1974 (Maio-Junho) - Medalha de Prata – Pintura a óleo, «XI Salão de Arte Moderna» (Estoril)