O MATL
Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes.

O MUSEU

O Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes, também designado por MATL, foi inaugurado a 1 de Agosto de 1981, fruto da convergência da vontade dos filhos de Armindo Teixeira Lopes (1905-1976), muito particularmente de Hilário Teixeira Lopes (1932-2022) e Gil Teixeira Lopes (1936-2022), conservadores-herdeiros do espólio artístico, bem como do executivo camarário de Mirandela de então. 48 obras de Armindo Teixeira Lopes constituíram a primeira mostra e acervo do museu que inaugurava, cobrindo o período de 1952 a 75, nos domínios artísticos de desenho e pintura (aguarelas, aguadas e óleos).

Seguiram-se novas doações de obras, em 1982, 1983, 1985 e 1989, não apenas da autoria de Armindo Teixeira Lopes, mas igualmente dos filhos Hilário e Gil, já então pintores reconhecidos e premiados internacionalmente, bem como de artistas do círculo de amizade destes e do pai, maioritariamente formados na Escola Artística António Arroio e/ou na Escola Superior de Belas Artes (hoje Faculdade de Belas Artes) e/ou estabelecidos na região de Lisboa.

Em 1984, o Centro Transmontano de São Paulo (Brasil) junta-se à lista de doadores do MATL.
A importância desta doação residiu na oportunidade dada ao público do museu de contactar com realidades plásticas modernas não-europeias, no caso, do continente americano (sul), até aí ainda não representado, concretamente do Brasil (de São Paulo, em específico). Cobrindo o período de 1964 a 1980, as novas incorporações, da autoria de Clóvis Graciano (1907-88), Miguel Barros “O Mulato” (1910-2011), Paulo Menten (1927-2011), Daro Bernardes (1946) e Theodoro Meirelles (1940-2008), exploram as identidades nacionais brasileiras (regionalismos, folclore, samba, carnaval), a cultura popular, o legado colonial (casario, azulejos) e problemas sociais (banditismo, prostituição, favelas) em diferentes sensibilidades estéticas (construtivismo, a pop art, primitivismo, neorealismo).

Nessa década, Trás-os-Montes e muito particularmente Mirandela, assistiu à formação de um museu único na sua génese e um dos primeiros no país voltado para a expressão plástica da atualidade, resultante, por um lado, do desprendimento e da generosidade de dois artistas daqui naturais e migrados para Lisboa quando adolescentes e dos seus pares (escultores, gravadores, ceramistas, pintores), por outro, da mais absoluta convicção, de todos os doadores envolvidos, de que o contacto, o confronto e a convivência com a arte, nas suas múltiplas e diferentes linguagens e significados, é fundamental para o completo desenvolvimento humano (intelectual, social, emocional).

De lá para cá, o acervo do MATL tem continuado a ser aumentado pelos fundadores e família, pelos artistas-doadores mais próximos dos Teixeira Lopes e a partir de 1989 (17 de setembro), com a abertura da Sala de Exposições Temporárias, por aqueles que aqui têm exibido os seus trabalhos. Estes últimos têm dado seguimento ao fascinante movimento cívico e “associativo” (de artistas plásticos) que levou à criação do MATL, inspirados, movidos e revistos no ideal original dos fundadores, de democratização e acessibilidade da arte.