Património Cultural de Mirandela

PATRIMÓNIO IMATERIAL

 

 

Nº Inventario:
IMT000358
Designação:
Festa dos Caretos, dos Rapazes e de Santo Estevão de Torre de Dona Chama
Tema:
Imaterial\Domínio (Decreto-Lei n.º 149/2015, de 4 de Agosto)\Práticas Sociais, Rituais e Eventos Festivos (alínea c), n.º 3 do artigo 1.º)
Tipo imaterial:
Categoria (n.º 2, I, Anexo III, Portaria n.º 196/2010, de 09/04)\Festividades Cíclicas
Tipologia:
Tipologia\Práticas Sociais\Peditório
Tipologia\Práticas Sociais\Fogueira
Tipologia\Práticas Sociais\Critica Social
Tipologia\Práticas Sociais
Tipologia\Práticas Sociais\Cortejo
Tipologia\Práticas Sociais\Cortejo
Tipologia\Práticas Sociais\Celebrações Religiosas
Tipologia\Práticas Sociais\Celebrações Religiosas
Tipologia\Práticas Sociais\Cortejo
Tipologia\Práticas Sociais\Caretos
Descrição:
A Festa dos Caretos, dos Rapazes e de Santo Estevão de Torre de Dona Chama, conhecida, na gíria popular, como "ciganada" tem lugar nos dias 25 e 26 de dezembro. A organização da festa é da responsabilidade dos mordomos que são nomeados pelo grupo de mordomos anterior. Estes começam os preparativos para a festividade no dia 24 de Novembro (dia de Santa Catarina), quando dão início ao peditório pelo povo na tentativa de angariar dinheiro para suportar as despesas inerentes à festa. Antigamente os mordomos eram apenas quatro, dois organizavam a parte religiosa da festa, outros dois a parte profana. Na atualidade, de forma a atenuar o trabalho de cada um, o número de mordomos é superior podendo, contudo, variar.
A festividade é composta por três elementos fulcrais: a manifestação protagonizada apelos jovens da vila, a manifestação teatral popular que encena a reconquista cristã do território português aos mouros, e a manifestação religiosa em devoção a Santo Estevão.
Um dos aspetos mais característico da festividade prende-se com o sincretismo a ela associada, uma vez que durante a mesma não só se verificam representações de origem profana (ou pagã) e sagrada (neste caso o catolicismo em oposição ao paganismo); ao contrário do que se verifica em muitas outras festividades idênticas, estas representações – festa dos Caretos e dos Rapazes e a festa de Santo Estevão - são síncronas o que contribuiu para a individualidade da manifestação.
A festa dos Caretos e dos Rapazes pode, à luz da definição de Van Gennep (1909) , ser considerada como um ritual de transição (um ritual de passagem, de liminaridade), uma vez que lhe está intrinsecamente associada a passagem dos jovens a adultos aquando da primeira vez que os rapazes se ventem de Careto (mascarado); nos dias de hoje, essa tradição já não se mantém tão restrita uma vez que qualquer pessoa, rapaz ou rapariga e independentemente da idade de pode vestir de careto, contudo, mantem-se ainda a denominação de “festa dos rapazes” referente a essa característica.
É também nesta festividade que aparece a figura do Careto, ou mascarado, pessoas vestidas com um fato de colchas/chita coloridos com franjas de lã e chocalhos de latão; a máscara da qual se fazem acompanhar para tapar a cara e esconder a sua identidade é de lata (latão) pintada geralmente de vermelho e preto, é comum trazerem também consigo paus que utilizam durante a performance.
Localização:
Portugal\Norte\Terras de Trás-os-Montes\Bragança\Mirandela\Torre de Dona Chama\Torre de Dona Chama