Património Cultural de Mirandela

PATRIMÓNIO IMATERIAL

 

 

Nº Inventario:
IMT000361
Designação:
Festa dos Reis
Tema:
Imaterial\Domínio (Decreto-Lei n.º 149/2015, de 4 de Agosto)\Práticas Sociais, Rituais e Eventos Festivos (alínea c), n.º 3 do artigo 1.º)
Tipo imaterial:
Categoria (n.º 2, I, Anexo III, Portaria n.º 196/2010, de 09/04)\Festividades Cíclicas
Tipologia:
Tipologia\Práticas Sociais\Cortejo
Tipologia\Práticas Sociais\Convívio Social
Tipologia\Práticas Sociais\Peditório
Tipologia\Práticas Sociais\Celebrações Religiosas
Tipologia\Práticas Sociais\Convívio Social
Tipologia\Práticas Sociais\Convívio Social
Tipologia\Artes Performativas\Dança
Descrição:
A festa dos Reis de Vale de Salgueiro celebra-se nos dias 5 e 6 de janeiro (dia de reis) e conta apenas com um mordomo – o Rei – a quem cabe organizar a festa e tratar de todos os pormenores relacionados com a mesma; assim, todos os homens, casados ou não, podem assumir o exercício desta função.
A festividade inicia-se no final da tarde do dia 5 de janeiro com a primeira ronda pelas casas da aldeia dos gaiteiros e do Rei onde este entra para anunciar o início das festividades; são oferecidos tremoços e vinho de uma cabaça a todos aqueles que o recebem. É ao Rei a quem compete encomendar os tremoços e o vinho para distribuir pela população (antigamente, os tremoços eram comprados e cozidos no dia de natal e posto a curar no rio Rabaçal, contudo, na atualidade já são comprados prontos a ser consumidos). Após serem visitados pelo Rei, a população junta-se na grande fogueira no centro da aldeia (que foi feita previamente) para o primeiro momento de convívio (é assada carne e distribuída bebida numa refeição comunitária) durante o resto da noite.
Já na manhã de 6 de janeiro o Rei, vestido a rigor, acompanhado pelo grupo de gaiteiros faz a segunda ronda a pedir a manda – donativo que a população dá para ajudar a cobrir as despesas da festa. Aqui, a figura do Rei tem já a sua coroa e o seu bastão: a coroa é enfeitada com peças de ouro emprestados por familiares e amigos do Rei, já o bastão consiste num pau com uma laranja na ponta.
Após este peditório pela aldeia celebra-se a missa em honra de Santo Estevão. É durante a missa que o Rei escolhe o mordomo do ano seguinte: este levanta-se e coloca a coroa naquele que quer nomear (a nomeação é, regra geral, escolhida previamente havendo até casos de pessoas que pedem para ser coroados reis, ou seja, mordomos da festa), dirigindo-se os dois até à frente do altar; é aqui que se considera coroado o novo Rei, isto é, escolhido o mordomo para a festa do ano seguinte. Terminada a missa é realizada uma procissão à volta da igreja com o novo Rei coroado e com o cessante a imagem de Santo Estevão, acompanhados pelo grupo de gaiteiros e pela população presente.
No final da missa, a população acompanha o novo Rei à sua casa onde este serve um lanche para toda a população como forma de celebrar a sua subida ao trono (a necessidade de ter o lanche preparado para toda a população é um dos motivos pelos quais a escolha do Rei é já combinada com antecedência).
Durante a tarde continuam as festividades no centro da aldeia, é aqui que se dança a Murinheira – uma dança tradicionalmente Celta, com representação não só nas zonas fronteiriças como também na Galiza, encenada ao ritmo de bombos e gaitas de foles; é dançada num sistema de “bota fora” onde a população dança em roda até restar apenas o último par. É também aqui que toma lugar um dos momentos mais controversos da festividade, uma vez que é dada permissão às crianças para fumar, oferecendo-lhos até cigarros. O arraial continua até à noite sendo o mesmo o último momento da festividade.
Localização:
Portugal\Norte\Terras de Trás-os-Montes\Bragança\Mirandela\Vale de Salgueiro\Vale de Salgueiro