Património Cultural de Mirandela

PATRIMÓNIO IMATERIAL

 

 

Nº Inventario:
IMT000360
Designação:
Albardaria
Tema:
Imaterial\Domínio (Decreto-Lei n.º 149/2015, de 4 de Agosto)\Competências no âmbito de Processos e Técnicas Tradicionais (alínea e), n.º 3 do artigo 1.º)
Tipo imaterial:
Categoria (n.º 2, I, Anexo III, Portaria n.º 196/2010, de 09/04)\Atividades Transformadoras
Tipologia:
Tipologia\Saberes-Fazer Tradicionais\Albardaria
Tipologia\Saberes-Fazer Tradicionais\Albardaria
Tipologia\Saberes-Fazer Tradicionais\Albardaria
Descrição:
A albardaria, também conhecida como correaria, é uma atividade artesanal tradicional dedicada à confeção de acessórios utilizados em animais de tração, como burros, éguas, cavalos e vacas. Durante séculos, esta arte desempenhou um papel essencial no quotidiano das comunidades rurais, especialmente num tempo em que a agricultura dependia fortemente da força animal. Os produtos do albardeiro eram indispensáveis nos trabalhos agrícolas e nos transportes, sendo por isso muito procurados pelos agricultores.
Entre os principais artigos destacam-se a albarda, a molida, e a cabeçada, todos concebidos para garantir o conforto e a eficácia dos animais durante o trabalho. A albarda, peça que dá nome ao ofício e ao seu artesão, é o elemento mais emblemático. Tradicionalmente, é feita em couro e tecido, com palha de centeio como enchimento, moldada de modo a ajustar-se ao dorso do animal e distribuir uniformemente o peso das cargas.
O processo de produção é totalmente manual e requer grande destreza. O albardeiro utiliza tesouras, sovelas, agulhas, fios de nylon, martelos e marcadores de cabedal, entre outras ferramentas, com as quais corta, cose, modela e decora as peças. Cada objeto é resultado de uma combinação entre força, precisão e sensibilidade estética — um testemunho do saber-fazer transmitido de geração em geração.
Com o avanço da mecanização agrícola, a procura destes produtos tradicionais diminuiu significativamente. Ainda assim, a atividade sobrevive no concelho de Mirandela, particularmente na Vila de Torre de Dona Chama, onde se mantém em funcionamento uma oficina artesanal. O atual mestre identifica-se sobretudo como correeiro, refletindo a evolução natural do ofício, que hoje se adapta às novas necessidades e a uma clientela mais diversificada.
Atualmente, o correeiro dedica-se à ao trabalho e transformação do couro num conjunto variado de artigos. Embora ainda produza albardas por encomenda e em ocasiões pontuais, a sua atividade centra-se na criação e reparação de coleiras para cães, gatos e gado, máscaras de couro utilizadas pelos caretos de Podence, e outros objetos feitos à medida. Todo o processo segue o mesmo princípio artesanal: é criado um molde, cortadas as peças de couro e cosidas manualmente com agulhas grossas.
No caso das máscaras, o trabalho é mais minucioso, envolvendo o recorte de várias partes (como a base e o nariz) e a sua posterior união através de costura manual. Estes objetos, que conjugam funcionalidade e expressão cultural, são produzidos na oficina do artesão, sendo depois vendidos em feiras ou a outros comerciantes que os revendem.
Apesar da quebra na procura, a albardaria/correaria continua a ser um símbolo de identidade e resistência cultural, representando um elo vivo entre o passado e o presente. O ofício preserva não apenas técnicas ancestrais, mas também uma forma de entender a relação entre o homem, o animal e o trabalho rural — testemunho material e imaterial de uma economia e de um modo de vida em transformação.
Localização:
Portugal\Norte\Terras de Trás-os-Montes\Bragança\Mirandela\Torre de Dona Chama\Torre de Dona Chama