Património Cultural de Mirandela

PATRIMÓNIO IMÓVEL

 

 

Nº Inventario:
I0001
Designação:
Castro de São Brás
Tipo imóvel:
Categoria\Sítio
Tema/assunto:
Imóvel\SuperTipologia\Arqueologia
Tipologia principal:
Povoado\Fortificado
Época:
Idade do Bronze\Final
Disposições legais:
Inscrição\Classificado\Imóvel de Interesse Público (IIP)
DECRETO nº 40 361 "DG" 228 (20-10-1955)
20/10/1955
Inscrição\Plano Director Municipal (PDM)\Mirandela\1994 (RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE MINISTROS n.º 109/94, D.R., 1.ª Série B, 253, 02-11-1994)\Classificado\Imóvel de Interesse Público (n.º 2, artigo 22.º, Capítulo III; 6575)
02/11/1994
Inscrição\Plano Director Municipal (PDM)\Mirandela\2015, 1.ª Revisão (AVISO n.º 9347/2015, D.R., 2.ª Série, 163, 21-08-2015)\Valores Culturais (ANEXO I)\Património Imóvel Classificado\Imóveis de Interesse Público (24078-24079)
E, I0001, Torre de D. Chama/ Castro de São Brás, Supertipologia\ Arqueologia, pág. 24078.
21/08/2015
Cronologia:
2010-00-00 - 2013-00-00
Idade do Bronze
Povoado Fortificado e Oppidum
O IGESPAR refere – descrito por A. Martins – que o «Povoado fortificado que conserva vestígios de ocupação desde a Idade do Bronze até à época Medieval. Pensa-se que este castro terá servido de oppidum. (…) Conhecida pelas estações arqueológicas que possui, atestando a procura do seu termo nos primórdios da Humanidade, embora com maior incidência a partir do Neolítico, a exemplo dos abrigos rupestres que ostenta, o território correspondente na actualidade ao município de Mirandela acolhe exemplares integrados no universo da denominada "cultura castreja", amplamente representada nos concelhos circunvizinhos, como, ademais, em toda esta parte da vasta região do Noroeste peninsular. Uma característica que dificilmente passaria despercebida a alguns pioneiros dos estudos arqueológicos conduzidos em Portugal, especialmente ao longo da segunda metade do século XIX, na esteira de uma tradição já enraizada nas principais capitais europeias, onde a temática arqueológica e, sobretudo, pré-histórica, assumia uma importância crescente e renovada à medida que as suas conclusões contribuíam para o reforçar de agendas políticas muito específicas, fossem de ordem regional, nacional ou, até mesmo, transnacional (Cf. MARTINS, A. C.). Apesar das dificuldades inerentes a uma prospecção agravada pela precariedade de parte significativa das vias e meios de comunicação existentes à época, a verdade é que o interesse pelo entendimento do passado e a procura de uma maior valência social através da identificação, estudo e recolha de artefactos ilustrativos da singularidade e/ou comunhão do arcaísmo de certas áreas do Portugal contemporâneo concorreram para o despertar de consciências para a necessidade de os preservar, divulgando-os nas páginas da imprensa regional e nacional, como forma de transbordar os seus próprios nomes para lá das malhas estreitas das sociedades locais. Não surpreenderá, por conseguinte, que uma figura, como a do coronel Albino dos Santos Pereira Lopo (1860-?) (inspector (...)». Informação recolhida a 25-02-2010 em http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/arqueologico-endovelico/ e a 06/02/2013 em http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/72863/
1706-00-00
Moderna\Século XVIII (até 1789)
Torre, Muralha e Vila de Dona Chamoa
António C. COSTA (1706, I: 411) refere que «Está situada [a vila] em huma campina algum tanto levantada junto da Villa & em huma imminencia se vê huma torre quase arruinada com vestígios de muralha ao redor, que dizem os naturaes haver sido antigamente ahi villa, & que nella morava huma senhora chamada Dona Chamoa, de quem tomou o nome, & ainda nos foraes antigos se cham a Villa de Dona Chamoa (...)».
Fichas Relacionadas
- COSTA, António Carvalho da - Corografia Portugueza, e Descripçam Topografica do Famoso Reyno de Portugal, com as Noticias das Fundações das Cidades, Villas, & Lugares, que contem; Varões Ilustres, Genealogias das Familias Nobres, Fundações de Conventos, Catalogos dos Bifpos, Antiguidades, Maravilhas da Natureza, Edificios, & Outras Curiofas Obfervaçoens: Offerecido a ElRey D. Pedro II Nosso Senhor. Lisboa: Officina de Valentim da Costa Deslandes, 1706.
1758-00-00
Moderna\Século XVIII (até 1789)
A Torre e a Cerca
As MEMÓRIAS PAROQUIAIS (1758, 37, 73: 633-652) referem que «(…) Actualmente esta vila não está murada, porém foi-o antigamente, quando se situava no local da igreja matriz, antes de se mudar para o sitio onde agora está. Tinha a sua torre ou castelo por isso se chamou Torre, e lhe dura hoje o nome Torre cuja cerca ainda hoje se parece e esta feita; somente pela parte de dentro da vila, já das paredes da cerca não descobre mais alto que a terra e asento da vila mas para a parte de fora ainda está alta, excepto em algumas partes que está demolida, por lhe tirarem pedra. O Castello ou Torre está demolido, somente pouco mais de uma parte tem parede de altura de quinze palmos, e das outras partes, nem tem já parede alguma, Ainda há naquela vila os alicerses de casas. Acrescentou-se Dona Chama ao nome dizem os homens de noticia que fora por ser esta Torre e vila de uma grande Senhora, gentia, no tempo que os Mouros residiam nestas terras; chamada Dona chamorra e que sendo inclinada ilicitamente aos cristaõs, mandara chamar aqueles de milhor perfeiçam, e os metia na Torre para satisfazer o seu apetite, e para que a não fossem descubrir não tornavam mais a sair; por lhe fazer ir conhecer o mundo, da verdade, e que sucedendo ir um mais avisado, depois que satisfizera o seu apetite se adormecera acostada a ele, e como a sentise dormindo se retirou como pode levandolhe um Anel, que lhe tirara do dedo, coisa de grande valor, e bem conhecido dos criados; e o levara no dedo, para sinal que a Dona chamorra lho dera, para assim os enguanar para que o deixassem passar as goardas, como dis que passara, e estando já livre espertara a Senhora Dona chamorra, e acudindo a manda-lo chamar dizendo tornase ali dizendo: torna cá fulano que a Dona chama; e como parecendo lhe que este a descubriria, se matara a si mesmo. (...)».
1895-00-00
Contemporânea\Século XIX
Vestígios de Superfície: Covinhas, Sepultura, Fusaiola, Cerâmica, Escória e Telha
J. de Castro LOPO (1885, 1 (9): 235) refere que «(...) Numa rapida visita ao castro depararam-se-nos: 1 - Um penedo com algumas covinhas; 2 - Uma sepultura aberta em rocha, orientada de O a E, com estas dimensões: comprimento 1m,90; largura maxima 0m,55; 3 - Metade de uma fusaiola de barro, pesando 15 grammas; 4 - Dois fragmentos de olaria (...); 5 - Escórias em grande quantidade, principalmente num dos lados do castro a que o povo dá o caracteristico nome de 'ruas dos Ferreiros'; 6 - Abundantes fragmentos de telhas grossas de rebordo (tegulae)».
1899-00-00 - 1900-00-00
Contemporânea\Século XX
Abril de 1900
Vestígios (Muralha, Caixão de Cobre, Machados, Moedas) e seria um Oppidum
Albino dos Santos Pereira LOPO (1899-1900, 05 (9-10): 279-280) refere que «(…) apresenta na parte superior, em volta da ermida, as ruinas de um castro cujos restos de espessa muralha formada de pedra e cimento ainda se descobrem partes. Aos vestigios que se encontram á superficie já se refere com proficiencia a noticia mencionada, e a que temos agora mais de acrescentar que durante o nosso reconhecimento, que nelle fizemos, viemos a saber que tempos antes, um indivíduo, andando a cavar na encosta, descobriu um caixão de cobre muito pesado por estar cheio, como verificaram depois, machados de cobre, uns em forma de cunha e outros como indica o desenho, tirado do único exemplar que resta e que possui o ilustrado e reverendo parocho P. José Videira; pois os outros, bem como o caixão, foram destruídos por um ferreiro na persuasão que eram de ouro. Na occasião em que este meu amigo m'o mostrou e prometteu para o Museu, apresentou-me tambem alguns fragmentos do caixão que indicavam ser de um fabrico muito rudimentar; e me deu algumas moedas romanas de prata e cobre encontradas neste sítio, sendo a mais antiga um “quinário”, cunhado pela familia CARISIA e que dizem "alludem à derrota dos cantabros e dos osturianos por Publio Carisio que fundou a colonia de Emerita, depois capital da Lusitania: Anverso - AVGVS - cabeça nua de Octavio á direita. Reverso – P. CARISI LEG – Victoria coroando um tropheu. (…) Quer-me parecer que este “castro”, pela sua posição a cavaleiro de uma planicie fertilíssima, onde se encontram restos de mais povoações extinctas, cuja defensa foi insignificante, e pela natureza e grande valor defensivo da sua fortificação, servia de “oppidum” refugio a todos esses povoados nas ocasiões de perigo comum.».
Fichas Relacionadas
- O Archeologo Português: Collecção Illustrada de Materiaes e Notícias. LOPO, Albino dos Santos Pereira; AZEVEDO, Pedro A. de. 1.ª Série. MdlBb00000066. Lisboa: Museu Ethnologico Português; Imprensa Nacional, (1899 - 1900).
1977-00-00
Idade do Bronze\Final
Machados de Bronze de Dupla Face
Luís MONTEAGUDO (1977: 160) refere 2 machados de bronze de dupla face (variante 26D1 Bragança), provenientes de Torre de Dona Chama [Castro de São Brás], enquadrando-os na Idade do Bronze Final.
Fichas Relacionadas
- MONTEAGUDO, Luís - Die Beile Auf Der Iberischen Halbinsel. Munchen: Abteilung IX, C.H. Beck'sche Verlagbuchhandlung, 1977. Capa, pág. 160/ 312 páginas. ISBN 3-406-00764-3
Numerações:
192
CNS - Código Nacional de Sítio